Páginas

terça-feira, 28 de abril de 2015

domingo, 26 de abril de 2015

Meditação e gravidez


Para mim é fundamental, todos os dias, parar, observar a respiração, sentir o corpo.

Eu sei que se já tens filhos, e se eles são pequenos, podes dizer-me que não tens tempo para meditar. Eu compreendo. O meu filhote tem dois anos, e quase todos os dias, é ele que me acorda de manhã.

Como encontrar momentos para meditar?

Se acordar primeiro que o Rodrigo, deixo-me estar deitada a observar a respiração, a sentir o corpo.
Se ele acordar primeiro que eu, observo a respiração, mesmo com ele. Tento manter a consciência do meu corpo e da minha respiração a fazer as tarefas do dia-a-dia, a interagir com ele e com o meu marido.

Depois, aproveito a hora da sesta dele para uma meditação formal, assim como a hora de deitar.

O "não tenho tempo" é uma desculpa da mente. Eu também a observo em mim.

No entanto, nos últimos meses, também tenho observado os benefícios da meditação.

Lembro-me de não meditar da mesma forma na gravidez do Rodrigo e sei que foi bom diferente. A forma como me sentia era diferente: mais ansiedade, mais medo. Deixava-me ir com mais facilidade das "conversas" da mente.

Agora, apesar de haver momentos de ansiedade, de maior cansaço (uma gravidez com um filho de dois anos não é propriamente a mesma coisa que uma primeira gravidez :) ), e de também surgirem momentos de medo, têm sido encarados de uma forma mais serena, e com mais presença e consciência.

Acredito que isso se deve muito à prática da presença no dia-a-dia, instante a instante, e à prática de meditação.

Aqueles momentos em que páro, em que me permito estar aqui e agora, sem nada para fazer, sem nenhum lugar para ir, sem nada para alcançar, são fundamentais.

Além de que proporciona uma maior conexão com a bebé. É bom falar com ela, mas também é muito bom estabelecer a comunicação com ela em silêncio. Fiz muito isso com o Rodrigo e posso dizer que quando ele nasceu essa comunicação não verbal se manteve e foi uma benção em tantos momentos.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

A independência

"These days we're pushing our children to be independent so early that they're really ending up being incredibly dependent. The whole cycle of addictive behaviors – of children reaching for alcohol, drugs, sex, or whatever – is a symptom of this dependency. Many young people use addictive behaviors to try to take the place of their deep need for love, nurturance, and for feeling as if they're a part of something."

"Hoje em dia estamos a forçar os nossos filhos a serem independentes tão cedo que eles estão a acabar por ser incrivelmente dependentes. Todo o ciclo de comportamentos de dependência - de crianças que procuram o álcool, as drogas, o sexo, ou o que quer que seja - é um sintoma dessa dependência. Muitos jovens usam comportamentos aditivos para tentar suprir a sua profunda necessidade de amor, carinho, e para sentir que eles são uma parte de algo."

Myla Kabat-Zinn

Eu não me preocupo com a questão da independência.

Fui descobrindo, ao longo dos últimos dois anos, que confio no meu filho. Já escrevi sobre isto várias vezes, mas aqui no blog deve ser a primeira.

A confiança que tenho no meu filho permite-me vê-lo crescer, descobrir, querer experimentar, querer fazer sozinho.

Ainda ontem foi lavar as mãos sozinho. Fui ter com ele e diz-me ele: "Pus sabonete. Abri toneira. Esfeguei as mãos."

"Estou a ver que já sabes fazer isso tudo sozinho, filho. Estás tão crescido!"

Não parte de mim querer que ele lave as mãos sozinho.

Hoje, depois de almoço, estava a brincar perto das plantas. Eu estava perto e observei:

Ele colocou-se em cima do banco dele e observou as plantas. Observou os vasos que sabe que têm que ter água e disse "Oh, não tem água. Mãe, a planta pecisa de água."

Eu fui buscar o regador e dei-lhe. E ele regou as plantas.

Não parte de mim o querer que ele regue as plantas.

Como não parte de mim que ele ponha a mesa, que escolha a roupa dele, que escolha qual o calçado que quer usar, o casaco com o qual quer sair, ou que coma de colher, garfo ou faca.

Mas parte de mim a disponibilidade para o deixar fazer.

Às vezes observo as pessoas a tentar ensinar-lhe coisas. E há poucos dias compreendi. Essas pessoas não tiveram a oportunidade de conviver com uma criança sem a querer ensinar, de forma a poderem compreender que não precisam ensinar. Possivelmente sempre foram ensinadas e continuam a achar que é esse o seu papel.

Esta é uma das vantagens de criar os nossos filhos com consciência, com atenção ao momento presente e com confiança plena que eles são perfeitos como são, com confiança plena no seu processo de desenvolvimento e inteligência.

Eu confio no processo natural de independência. Cada etapa vem a seu tempo (e o tempo de cada criança é o seu tempo perfeito).

Se não pressionarmos, se não interferirmos no processo, eles vão mostrar-nos como são capazes, como são inteligentes e como crescem rápido.









quinta-feira, 16 de abril de 2015

Gratidão

Quem me segue no Facebook já deve ter percebido que todos os dias partilho uma foto com o título Gratidão.

Decidi tornar a gratidão uma prática consciente na minha vida.

É muito fácil esquecer-me de ser grata. Esquecer-me da fonte de gratidão em mim e nos outros. Por isso, decidi relembrar-me diariamente.

A gratidão, para mim, é um estado interior de presença e aceitação da plenitude e abundância deste momento.

Não é perder-me em pensamentos de tudo aquilo que posso estar grata na minha vida.

É conectar-me totalmente com este momento, com a abundância da vida neste momento, com o amor que sinto AGORA.

Desta forma, sinto-me grata pelos momentos mais simples da minha manhã: o acordar, o "bom dia mãe", a brisa fria da manhã, o céu cinzento desta manhã, o toque do meu filho sentado encostado a mim no sofá, o pequeno-almoço que partilhámos em família, as cambalhotas da mais pequenita dentro de mim, o carinho que os meus gatos me oferecem, o café quentinho.




quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quando eles se magoam


Quando eles se magoam surge a vontade de dizer "Eu avisei-te!", "Porquê que fizeste isto?" entre outras parvoíces que a nossa mente se lembra.

Podemos observar a mente e acolher o nosso filho nos braços, em total silêncio e aceitação. Ele só quer mimo, não quer ninguém a magoá-lo ainda mais e a culpá-lo por descobrir, aventurar-se e brincar.

Depois de o acolher podes explicar, se sentires que é o melhor a fazer no momento. 

"Eu digo-te para não fazeres isso nas cadeiras porque te podes magoar, como aconteceu há pouco."
"Da próxima vez que quiseres saltar assim, pede-me ajuda, pode ser?"


Ah... e o "já passou" para mim não é verdade. Quando eu bato com o pé numa porta (o que acontece com alguma frequência), se alguém me diz que já passou, a minha vontade é mandar esse alguém às urtigas. A dor não passa em segundos (e não me venham com teorias quânticas até a viveram, experienciarem MESMO, 100% do tempo, e se for esse o caso, vamos conversar e partilhar ideias). 
O que provocou a dor é um acontecimento passado, mas a dor, para a criança é real. Deixá-la chorar e reconhecer a sua dor é o melhor que posso fazer! 








terça-feira, 14 de abril de 2015

Consciência

"Ser o Saber que a Consciência É"

Hoje em dia fala-se muito em construir a auto-estima das crianças.
Hoje em dia fala-se muito em melhorar a nossa auto-estima.
Hoje em dia fala-se muito em auto-estima.
Mas afinal, o que é isso de auto-estima?

Que SER é este a ser estimado, gostado?

Normalmente não uso o conceito de auto-estima. Nem para mim, nem para ninguém.

Sinto que se sentimos AMOR, neste preciso instante, isso é tudo. Sinto que a PRESENÇA, o estado de SER AGORA, é AMOR.
E que isso não é pessoal. O AMOR não é pessoal.
Quanto mais em contacto estamos com esse amor, mais em contacto estamos com aquilo a que podemos chamar a nossa essência... e talvez aí sim possam existir manifestações daquilo a que podemos chamar de auto-estima, amor-próprio. Mas esse não é o meu objetivo.

Saber que não preciso corrigir as ideias que surgem na minha mente sobre mim e sobre os outros é tão relaxante, tão amoroso.
Saber que não preciso melhorar nada em mim, nem construir nada nos meus filhos.

Eu não preciso preocupar-me com a auto-estima dos meus filhos.

Eu só preciso estar PRESENTE para mim e para eles, ou seja, estar PRESENTE AGORA! Esse é o meu maior ato de amor.

Tudo o resto... são histórias que a mente conta, ideias para nos manter entretidos. É que enquanto pensamos na auto-estima deles, na nossa auto-estima, não estamos presentes, estamos a viver num filme da nossa mente e a desperdiçar olhares, sorrisos e o amor que já está aqui AGORA!




segunda-feira, 13 de abril de 2015

Dancing, singing, storytelling, and silence

"In many shamanic societies, if you came to a shaman or medicine person complaining of being disheartened, dispirited, or depressed, they would ask one of four questions.
When did you stop dancing?
When did you stop singing?
When did you stop being enchanted by stories?
When did you stop finding comfort in the sweet territory of silence?
Where we have stopped dancing, singing, being enchanted by stories, or finding comfort in silence is where we have experienced the loss of soul.
Dancing, singing, storytelling, and silence are the four universal healing salves."
~ The Four-Fold Way: Walking the Paths of the Warrior, Healer, Teacher and Visionar

Através de Project Happiness

sábado, 11 de abril de 2015

Ver crescer...



Um fascínio, uma alegria ao ver nascer, crescer. A alegria por nutrir e amar.

O que esperamos de volta das plantas? 

Nada... e elas crescem ao seu ritmo, sem que lhes coloquemos regras, limites ou condições. E é quando são amadas, quando respeitamos as suas particularidades e exigências naturais da espécie que elas nos deslumbram com a sua beleza, a sua essência, a sua luz.


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Isto de acolher e aceitar o momento presente é real e prático!

Ontem foi um dia cansativo.

Marido magoado no joelho, uma barriga a crescer e uma criança de dois anos.

Hoje de manhã o sono era muito. Não só para mim, mas para o meu filhote também. Só que tínhamos que ir buscar uma canadiana para o pai!

Quando ele tem sono não quer brincar sozinho. Só quer colo. Mesmo quando está ao colo, só quer colo e"mãe".

Enquanto tomo o pequeno almoço ele quer mudar o pequeno almoço dele vezes sem conta: ora é leite, ora é pão simples, ora é pão com manteiga, ora afinal é pão com queijo, ora afinal é só colo!

O que isto me irrita!! Nem imaginam. Afinal, eu só queria beber o meu leite com café quentinho e comer as minhas torradas com manteiga, quentinhas!!!!

Há muitas pessoas que me dizem que isto de viver no momento presente, aceitar as emoções é muito bonito, mas elas têm uma vida para viver, problemas para resolver, uma casa para organizar, um trabalho com obrigações e mais umas quantas coisas para pensar e fazer.

Mas sabes, isto de escolher a consciência no momento presente é escolher a VIDA, é escolher viver a vida, só que com mais calma, tranquilidade e amor.

E eu escolhi dizer-lhe que se ele não se decidia no que queria, eu ia tomar o meu pequeno almoço primeiro. E ele veio para o meu colo enquanto eu acabei o pequeno-almoço.

Confesso que antes de ele vir para o colo o tom de voz com que eu disse não foi o mais carinhoso... mas tomei consciência disso... e depois falei com mais calma e com mais carinho.

Depois disto... foi arranjá-lo entre idas para a cama porque tinha sono, arranjar-me entre colo e "mãe anda aqui".

Quando saí de casa notei uma irritação tão grande. Só me apetecia chorar... ou talvez só me apetecesse dormir.

E observei... fui a conduzir em total estado de observação. Aliás, a vantagem de uma boa irritação, é a oportunidade para um intenso estado de presença.

Nessa observação não há espaço para responder com irritação, mas para ser sincera: "Eu estou a sentir-me muito irritada e com sono."

E quando estava a chegar à bomba de gasolina parece que uma nuvem negra saiu de dentro de mim e uma alegria se instalou.

Fomos a conversar alegremente até ao nosso destino, fomos buscar a canadiana para o pai, fizemos compras, escolhemos o almoço juntos no caminho de regresso a casa.

Enquanto fiz o almoço ele pegou numa panela, pediu massa e esteve a brincar!

Consegues imaginar como teria sido a nossa manhã (e resto do dia) se eu não tivesse acolhido o que estava a sentir, com total aceitação e presença?


Pergunta do dia

Isto é mesmo verdade ou é uma mentira ou crença que a minha mente está a contar-me para me distrair do que é?


Mensagem


terça-feira, 7 de abril de 2015

"Não tenho tempo para essas coisas"

Esta é uma das frases que ouço com mais frequência quando falo sobre viver no momento presente, meditar, escolher tomar consciência do que sinto e aprender a viver a vida a partir desse espaço interior de paz, consciência e amor.

Será mesmo que não temos tempo para SER QUEM SOMOS?

A maternidade despertou em mim uma prática muito mais profunda da vivência no momento presente, do largar medos e entregar-me de coração ao momento.

Claro que isso não é fácil. 

Claro que isso nem sempre acontece.

É mais fácil em determinados momentos. É mais difícil com algumas pessoas. 

É extremamente complicado com "aquelas" pessoas. 

Pode ser desafiante em alguns momentos com o meu filho.

No entanto, existe algo "cá dentro" que diz SIM, É ISTO! SIM, É POR AQUI! FAZ SENTIDO!

E é desta forma que tenho aprendido que quando a minha mente diz: "não há tempo", então é para PARAR, fazer devagar, com atenção, com consciência, com carinho, por mim e por tudo aquilo em que toco e com quem falo.