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terça-feira, 30 de junho de 2015

Amido de milho e água






Eu nunca tinha experimentado: fiquei apaixonada pela textura da maizena, a forma como fica dura e quando abrimos a mão começa a escorregar e a ficar líquida.
Ele também adorou! Brincámos com ela duas vezes hoje. Até o pai experimentou quando chegou!

Só o amor é real


Nada real pode ser ameaçado.
Nada irreal existe.
Nisso está a paz de Deus.

"Um Curso Em Milagres"

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Uma gravidez serena


Existem sempre momentos, numa gravidez, que nos deixam ansiosas, com medo de alguma coisa, irritadas. Ou o cansaço. Ou a azia. Ou as contrações (há quem tenha mais contrações durante a gravidez que outras mulheres).

Ontem à noite tive uns momentos de "profunda irritação" em que não estava a suportar a azia (e já tive sensações de azia bem piores), nem as mexidelas na minha bexiga que me obrigavam a ir ao wc de cinco em cinco minutos, à UMA da manhã, durante meia hora.

Até que, consegui respirar fundo, e mais do que reconhecer a irritação - já a tinha reconhecido mas não estava disponível para me "separar dela" - consegui entrar num estado interior de total aceitação do momento. A respiração ajuda-me a relembrar o silêncio interior, a render-me ao que é, e a relaxar.

Depois... adormeci.

E hoje, dia de consulta, lembrei-me de respirar conscientemente (com total atenção à respiração e à observação da respiração) sempre que pensava na consulta. 

E todos os dias, a respiração tem sido uma aliada, uma amiga que me ajuda a serenar quando tenho contrações - além da dor, ajuda a "descolar" do medo de um parto antes do tempo, e a confiar. 

Fazer este trabalho de consciência ajuda a não "panicar", como "paniquei" na primeira gravidez (por panicar falo em estar muito mais virada para fora, à procura de segurança fora de mim, de opiniões e de apoio, de precisar de falar mais sobre o que sentia e estava a viver). A prática de presença consciente (ou mindfulness) permite-nos relembrar que existe sempre um espaço de silêncio e presença em nós, que nos permite viver as situações de forma mais consciente, relaxada e confiante.

Eu acredito que todos queremos sentir-nos confiantes e, as mulheres grávidas, querem sentir-se confiantes e seguras. E esse trabalho começa em nós. Não existem companheiros, médicos, doulas, enfermeiras, que nos possam dar essa confiança e segurança, se nós não nos sentirmos assim "cá dentro". Podemos ter a ilusão de segurança. Podemos ter várias opiniões e agarrar alguma como mais válida, mas o que verdadeiramente interessa é como nos sentimos por dentro.

Mesmo que seja uma gravidez perfeitamente normal, de baixo risco, do início ao fim da gravidez, existem sempre momentos mais tensos (não é preciso estar grávida para isso). 

Acreditar que a vida é um mar de rosas, sem emoções desconfortáveis e sem medos, na minha perspetiva, é viver em negação. Se acredito que existe um estado de "iluminação", um estado de graça, onde o medo deixa de guiar a nossa vida e dá lugar ao amor incondicional? Sim, acredito! 
Mas também sinto que se sentimos medo, de alguma forma, precisamos reconhecê-lo, aceitá-lo e aprender a viver com as nossas emoções de forma saudável, enquanto percorremos o caminho interior de descoberta de quem somos: acredito que isto a que chamamos vida seja uma viagem ao encontro de nós mesmos, oportunidades de tomarmos consciência do AMOR que somos.

Voltando à gravidez... 

Aplicar as práticas de consciência, presença e meditação durante a gravidez podem ser extremamente úteis e preparar-nos para os momentos que se aproximam: o parto e o papel de mãe de uma criança que vai nascer.

Também torna a nossa vida mais simples: estamos mais presentes no agora, mais atentas às necessidades deste momento, assim como mais atentas às maravilhas que a vida nos apresenta AGORA. Deixamos de estar tão focadas nos medos (futuro) e aprendemos a soltar o passado (perdoar). Isso ensina-nos também outra forma de nos relacionarmos com os outros, especialmente os nossos filhos. 

Vou deixar-te aqui os vídeos que fiz das atitudes mindfulness. São a minha perspetiva das atitudes que o Jon Kabat Zinn apresenta como atitudes que apoiam a nossa prática de presença consciente no dia-a-dia e em meditação.

Controlo ou liberdade?

A primeira vez que li sobre o método Montessori fiquei com a sensação de que parecia ter atividades engraçadas para os miúdos, mas que era muito "controlador".
Emprestaram-me o livro dela, "A descoberta da criança". Não o li todo. Fui lendo partes. E há algumas que parecem ser revolucionárias em relação à educação tradicional a que estamos habituados.
No entanto, pergunto-me: a liberdade de que ela fala no livro e de que algumas pessoas atribuem ao método é liberdade? Verdadeira liberdade? Ou é controlo camuflado de liberdade?
Eu posso inspirar-me em algumas brincadeiras para o meu filhote, mas quero mesmo basear a educação do meu filho em algo que apela à perfeição? À exatidão?
Acredito que é nas pequenas coisas que podemos encontrar o verdadeiro propósito daquilo que fazemos.
Para mim, lavar as mãos é lavar as mãos.
Se eu usar o sabonete com cuidado, e colocar a toalha no lugar quando a uso, é muito provável que o meu filho o faça. E faz.
Se às vezes suja a casa de banho a lavar as mãos. Claro que sim!!!
Também sabe virar a água da jarra para o copo. Viu-nos fazer e quis fazer também, durante as refeições (não em atividades propostas com esse objetivo, pois a vida real oferece-nos tantas oportunidades para explorar, aprender e conhecer a VIDA como ela é). Às vezes entorna a água. No início entornava mais vezes. É normal FALHAR. É normal errar.
Ainda ontem deixei cair imensa água ao chão ao virar água do garrafão para uma garrafa. Não sou perfeita!!! wink emoticon
Para mim, criar o meu filho com consciência, liberdade, amor e carinho, é permitir que ele aprenda por ele, que ele erre, que ele emende, que ele tente de novo, que ele saiba que é normal errar, que é normal tentar de novo, que é normal ser bem sucedido, que é normal lavar as mãos, virar água de jarras para copos, e que aquilo que ELE É não depende da forma como ele faz nenhuma dessas coisas.
Não existem usos errados. Só na nossa mente. Para uma criança, que pode não ter as mesmas limitações da mente do adulto, a finalidade de uma brincadeira pode ser bem diferente daquela que lhe demos. E pode ser diferente de cada vez que pega num objeto ou brinquedo.
Não nos deixemos enganar por embalagens de perfeição. Deixemo-nos sim abraçar pela realidade amorosa que nos acolhe a todos, e nos permite experimentar, conhecer, explorar, errar, tentar, conseguir, e saber que tudo isso é normal, é ÚTIL!
Se calhar, está na hora de pararmos de procurar fora de nós e de encontrarmos, dentro do nosso coração, a melhor forma de nos relacionarmos com as nossas crianças, de as deixarmos aprender, de as orientarmos quando elas precisam, de lhes darmos a nossa mão com compreensão, aceitação e consciência. Está na hora de CONFIAR!
Confiar em nós enquanto seres humanos. Confiar que tudo é PERFEITO como é, não como imaginamos que pode ou tem que ser.
Isso implica, na maior parte das vezes, trabalho interior: questionar as nossas crenças, perceber onde nascem as nossas intenções (no medo ou no amor), e alinhar as nossas atitudes com aquilo que verdadeiramente desejamos para nós e para os nossos filhotes.




sexta-feira, 19 de junho de 2015

Porque quero saber mais


Porque senti que não me informei na altura do Rodrigo.
Porque não senti apoio.
Porque não me informaram de forma esclarecida e sem medos.

Porque acredito que nós, mães e mulheres, precisamos mesmo procurar informação, estar esclarecidas e entregar à VIDA todas as situações.

Obrigada Rosa!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Consciência é amor

Escolher ser uma mãe consciente é escolher ser um ser humano consciente.

Consciente do que sinto, parar de responsabilizar os outros pelo que sinto e faço, escolher focar a minha atenção no momento presente, aceitando a forma como ele se apresenta, quer "goste" ou "não goste".

É escolher estar presente.

Estar PRESENTE para mim, para o que estou verdadeiramente a sentir (e não a história que a mente faz sobre o que estou a sentir ou experimentar).

Estar presente para os outros, para o que estão a dizer-me, a mostrar-me nos seus atos, gestos e olhares.

Estar presente para as situações como elas se apresentam agora, percebendo o que estão a pedir de mim neste preciso momento.

É escolher conhecer-me: as minhas reações emocionais, o que penso, as crenças e os valores que moldam os meus comportamentos.

É escolher observar as minhas reações (sempre que consigo) e focar-me neste momento: existe outra forma de responder, de agir, que seja mais amorosa e livre da carga do passado?

Não acredito em fórmulas mágicas.

Acredito no amor.

Acredito que o amor e a consciência andam de mãos dadas: quanto mais conscientes estamos, mais conscientes estamos do amor que somos e partilhamos uns com os outros.

O fato de fazer este caminho interior mostra-me o quão importante é o amor, a gentileza, a compreensão e a calma, num mundo onde o medo ainda reina em tantos aspetos e a distração parece ser uma constante.



quarta-feira, 10 de junho de 2015

Vídeo: Confiança - Atitudes Mindfulness

Vídeo: Mente de Principiante - Atitudes mindfulness

Vídeo: Paciência - Atitudes mindfulness

Vídeo: Não julgamento - Atitudes mindfulness

Novo vídeo sobre mindfulness

Neste vídeo partilho com vocês os momentos que foram determinantes na minha vida para a descoberta interior do Poder do Agora, da rendição ao momento presente.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Meditação na respiração

Tu vês a laranja?


Quando comes uma laranja paras para observá-la?
Sentes os seus gomos "pequeninos" a desfazerem-se na tua boca e libertarem o seu sumo?


As refeições dos miúdos

Como já referi em outros artigos, observo e escuto bastante a forma como os adultos se relacionam com as crianças e com as atividades naturais do dia-a-dia.

Comer é algo natural.

Pergunto-me se as refeições não são um problema para muitas famílias pela forma como os próprios adultos encaram a comida.



"Se não comeres não podes brincar."

"Se comeres a comida toda podes comer um chocolate no fim."

"Comeste tudo, que lindo menino!"

"Que feio, não comeste a sopa toda."

Chantagem com a comida?

A comida é um castigo e brincar uma recompensa? Os doces são recompensas por comer outro tipo de comida? Então essa outra comida (a verdadeira refeição) é o quê?

Não admira que existam tantos adultos que comam para suprir necessidades emocionais: a maior parte de nós foi ensinado a usar a comida não como uma fonte de energia e nutrientes, mas como uma obrigação, associada a castigos, recompensas e auto-imagem.

"Tens de comer sopa."

"Tens de comer a maça."

Obrigamos as nossas crianças a ter hábitos alimentares que são muitas vezes diferentes dos nossos.
Elas têm que comer sopa...e nós comemos?
Eles têm que comer fruta... e nós comemos?

E em relação ao resto? Que alimentos estamos habituados a comer? Que alimentos temos em casa disponíveis para os nossos filhos comerem (e nós)?

"Tens que comer tudo o que tens no prato até ao fim."

Porquê?
Outro dei conta que também comia a comida que tinha no prato até ao fim. No entanto, isso nem sempre correspondia com o fato de estar satisfeita ou não... estava no prato e comia.

O que estamos a ensinar às nossas crianças quando lhes dizemos para comer até ao fim?

A não estarem atentas ao seu corpo, às suas necessidades. Uma criança com fome, come. (Estou a falar de uma criança saudável, sem nenhum problema de saúde que a impossibilite de comer.)

Além disso, quem escolheu os ingredientes? E os temperos?

Todos nós temos gostos diferentes. Os nossos filhos têm de gostar de tudo o que está no prato? Têm que comer mesmo que não gostem? E tu, comes o que não gostas?

"Tens que experimentar esta comida. Não podes dizer que não gostas sem provar."

Eu só provo aquilo que quero provar. E tenho deixado que o Rodrigo prove quando quer provar. E há alimentos que ele não quer provar, outros que prova e gosta, e outros que prova e não gosta. Há alimentos que ele não quer provar durante semanas, e de repente pede-me para provar.


Alimentar-mo-nos é fundamental para a nossa sobrevivência, é um ato natural e que deve ser encarado dessa forma.

Se calhar, cabe aos membros da família responsáveis pela alimentação da criança refletirem sobre a forma como encaram a comida, quais as crenças e medos que associam ao ato de comer e aos alimentos, e a própria forma como comem.

Distrair uma criança para comer é distrair a criança da sabedoria do seu próprio corpo:
- se sente ou não fome
- se gosta ou não do alimento que lhe está a ser oferecido
- se já está satisfeita ou não

É tão importante para a criança como para nós estarmos atentos às nossas necessidades interiores em relação à comida:
- Comer quando temos fome
- Dar atenção ao que comemos, ao sabor, textura, cor, forma, temperatura
- Estar atento à sensação de saciedade e parar de comer quando estamos saciados

Esta atitude perante a comida liberta-nos das crenças e vai desfazendo os padrões emocionais que temos associados à comida. Oferece-nos a liberdade que é nossa!

Ensina-nos a confiar em nós! A autoconfiança cresce dentro de nós através das atitudes mais simples e rotineiras do dia-a-dia.

Confiar na sede que sentimos.
Confiar na fome que sentimos.
Confiar na vontade que temos para comer determinados alimentos.
Confiar quando não temos vontade de comer determinados alimentos.
Confiar na sensação de saciedade interior.

Se tu confias em ti, vais confiar no teu filho.
Se o teu filho SENTE que tu confias, vai estar mais inclinada a confiar nele e a cooperar contigo!



quinta-feira, 4 de junho de 2015

Porquê Simplificar a maternidade?

Porque tudo fica mais simples quando escolhes a consciência do momento presente.

É nas trivialidades do dia-a-dia que descobrimos o fascínio da vida.

É no sorriso das nossas crianças. Nas suas palavras. Nas suas ações. Nos seus silêncios. Nos seus olhares.

Uma manhã pode ser simples e ao mesmo tempo recheada de momentos que nos enchem o coração de gratidão.






Acredito que complicamos muito a nossa vida enquanto pais e mães, apenas porque imaginamos o que é ser pai ou mãe e queremos seguir um papel que a nossa mente nos diz que deve ser assim.

E é quando abandonamos as histórias e nos entregamos à união com o ser que partilha este instante connosco que a verdadeira sabedoria pode mostrar-nos qual é o nosso papel no momento.

Simplificar. Abrandar. Desfrutar com calma de cada experiência.

Não encher a nossa vida de atividades. Permitir espaço e silêncio.