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domingo, 22 de novembro de 2015

Antes de julgares um bebé de chorão e mamão...

Repara se ele está mesmo com fome.

Verifica a fralda.

Tem calor ou frio?

Cólicas?

Sono?

Está no seu ambiente habitual?

As pessoas à volta costumam estar com frequência com o bebé? Estão muitas pessoas perto ou à volta do bebé? Estão a falar alto? Como se sentem as pessoas?

O bebé anda de colo em colo?

O bebé está a ser demasiado estimulado com brinquedos muito coloridos e sons altos?

O bebé quer uma roca ou um peluche para brincar?

O bebé quer deitar-se para movimentar os bracinhos e as pernas como lhe apetece?

E lembra-te sempre que aquilo que tu dizes a um bebé fica guardado na sua memória, está a criar a sua auto-imagem. 

Podes também lembrar-te que a maminha é para alimentar, consolar, adormecer, nutrir o corpo e a alma! 

Parar para observar um bebé, sem o julgar, sem querer nada dele... é um ato de amor e empatia profunda. Acredito que dessa forma conseguimos compreender o bebé, responder às suas necessidades e proporcionar um ambiente seguro para essa criança desenvolver a sua auto estima.


Não reação, que é como quem diz, parar um bocadinho!

Não significa não sentir.

Significa que dou espaço. Espaço entre o que se passa dentro de mim (emoções e pensamentos) e aquilo que faço e digo.

Nem sempre consigo. E está tudo bem.

A família pode ter o dom (e tem muitas vezes) de despertar em nós feridas adormecidas que estão prontas para gritar a sua dor e atirá-la com toda a força para fora de nós. O problema é que quando tentamos despejar a dor que sentimos nos outros, fazendo deles os culpados pelo nosso estados emocional, continuamos a perpetuar uma dor que vive em todos nós, a dor que recria os problemas, a dor que continua a minar os nossos relacionamentos e a dar mais lenha para as feridas arderem, em todos nós.

Não reagir não é dar a razão ao outro (embora possa parecer). Não reagir é observar, reconhecer o que está a acontecer no momento e agir a partir desse espaço interior de maior clareza e discernimento.

Se olharmos para o que está a acontecer agora, sem associar ao que já aconteceu no passado ou com medo do que isso pode implicar no futuro, a qualidade das nossas ações e interações AGORA reflete-se em harmonia, paz e bem-estar.

Isso não significa que estamos em estado zen o tempo todo. Significa que colocamos a intenção de viver no aqui e agora, momento a momento, descobrindo o que é mais importante para nós.

Tenho descoberto que o mais importante para mim é sentir-me em paz. E descubro que sempre que escolho essa paz, as ações que afloram a partir daí são mais amorosas. Nem sempre são aquilo que é mais comum ou o que esperam de nós, nem sempre as pessoas à volta demonstram compreender, às vezes as pessoas olham para nós como se fossemos um extraterrestre, nós próprios ficamos surpreendidos (o deslumbre acontece muitas vezes). Mas há algo que comigo acontece SEMPRE: o bem-estar interior de fazer aquilo que faz sentido para mim nesse momento (e que às vezes significa não fazer nada).

Quando permitimos que este espaço interior aconteça (ou melhor, quando nos permitimos tomar consciência deste espaço interior, não dando ouvidos às vozes que se sobrepõem) estamos a ser verdadeiros connosco. Começamos também a conhecer-nos. Sim, porque quando reagimos estamos apenas a dar continuidade a padrões e emoções que não são aquilo que somos, são apenas memórias que se vão repetindo, às vezes de geração em geração, graças à ação inconsciente, sem parar, sem questionar ou refletir, sem dar espaço à nossa voz interior.

Viver sem parar é viver como estranhos de nós mesmos. Fazemos porque é assim, porque é esperado, porque os outros também fazem, porque dizem nas revistas e nos livros, porque temos medo do que possa acontecer se fizermos diferente. Ou então fazemos diferente porque queremos ser diferentes dos outros, queremos ser mais e melhores. A ação em vez de partir do coração, parte das memórias que nos separam uns dos outros e não nos unem na essência.

Parar, observar, escutar, agir. Dar vida à essência que se manifesta através de cada um de nós, desfazendo a inconsciência que se alimenta da pressa, do medo e da culpa.




sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Tenho tempo para ti

Da próxima vez que "não temos tempo" estiver para sair da minha boca, a minha intenção é parar, observar-te e abrir mão do meu apego ao tempo,

Quando eras mais pequeno... havia sempre tempo.

Só que tu ainda és pequeno e tenho ouvido vezes de mais, vindo do teu coraçao, "temos tempo mãe?".

Obrigada por me mostrares o quanto eu corro sem destino, o quão inquieta posso ficar neste instante e como posso parar e amar-te, com tempo.

Obrigada por me mostrares que o tempo não cura, mas o parar e amar-te, aqui e agora, a brincar com carrinhos ou a ver as brincadeiras que queres mostrar-me como fazes, cura qualquer inquietação ou dor que ainda teimo em trazer do passado.