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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Muito mais que a escola

É uma questão de relacionamento!

Na minha opinião, muito mais importante do que a escola que as crianças frequentam e que metodologias usam, é o relacionamento que nós escolhemos criar com elas!

E acredito que a partir daí, de um espaço interior de respeito, igualdade, responsabilidade e amor, é possível escutar a voz do coração e saber o que é melhor para os nossos filhos, a cada momento.

Quando agimos por medo, o resultado não vai ser amoroso. E se nos lembrarmos que sempre que não é amor, é medo, então temos muita coisa para questionar dentro de nós, para fazer as pazes e só depois, escutar na pureza desse silêncio.



Acredito mesmo que a mudança que queremos ver no mundo, começa dentro de nós, na nossa escolha pela paz interior.

E de repente, quando tocamos, por breves instantes que seja, a paz interior, há um saber interno que nos vai dirigindo. E não existem opções certas ou erradas.

Quando se escolhe que os filhos vão à escola como sendo o certo. Quando se escolhe que os filhos não vão à escola como o certo. A mente está em modo de separação - eu estou certo, os outros estão errados. Isso não pode ser amor!

A mente é muito sorrateira!

Que este momento possa ser o nosso mestre, que nos guie para dentro, para o silêncio aconchegante e sereno, onde todas as dúvidas se desfazem, onde todas as perguntas encontram resposta (mesmo que seja silenciosa), onde reconhecemos aquilo que não pode ser escrito ou falado!

É a partir daí que os nossos relacionamentos podem ser uma expressão de amor. Onde reconhecemos o medo, nas suas muitas formas, mas existe um distanciamento, um discernimento que nos mostra outra forma.

A aceitação do que é, sem julgar, oferece-nos um poder sem limites. O poder de escutar o coração e seguir o caminho que faz sentido neste momento, independentemente dos idealismos da mente, dos sucessos imaginários, das conquistas futuras!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Não julgamento


Não julgar é não julgar.
O livro "Um Curso Em Milagres" diz que quando percebermos que o julgamento é aquilo que nos faz sofrer, e percebermos que aquilo que somos é incapaz de julgamento, simplesmente vamos parar de alimentar a vozinha tagarela dentro de nós.

Descobri a meditação mindfulness há mais ou menos três anos. E as atitudes mindfulness fizeram muito sentido para mim.

E descobri também que mindfulness está na moda. Mas está na moda como uma forma de meditar, para relaxar, para não reagir de imediato. 

Contudo, para mim, mindfulness é muito mais que meditar ou relaxar.

É apenas um outro nome para estado de presença, presença consciente, viver no agora. Aquilo que é ensinado por muitos "mestres espirituais" (ou pessoas que vivem em paz e tomaram consciência da sua verdadeira natureza).

E a prática das atitudes leva-nos a viver num estado de abertura ao momento presente, dando espaço a tudo o que acontece - seja pensamentos, emoções ou situações.

É não partir do princípio que sabemos tudo. É estar disponível para observar, para sentir, para questionar. Para viver sem me apegar a nada como verdade.

Aplicar isto à criação/educação dos meus filhos é um desafio. Gratificante.

Observar as várias formas de educar, as várias formas de ensinar e não julgar! Simplesmente manter-me num estado neutro dentro de mim, um estado de paz, e a partir daí, agir.

Tenho descoberto que aquilo que acontece é não seguir nenhuma forma. É simplesmente seguir o momento. É descobrir o que é o amor a cada instante. Não achar que sei o que é amor incondicional só porque sou mãe e sinto um amor enorme pelos meus filhos.

Cada momento. Cada instante. É AGORA que o amor pode ser sentido. É AGORA!


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Ensinar ou não ensinar




Normalmente, eu não tenho em mente ensinar nada aos meus filhos.

Eu não repito as cores daquilo que têm nas mãos, eu não faço perguntas do género "de que cor é isto?", "o que é isto?".

Assumo que eles são seres inteligentes. Que me escutam quando estamos a conversar. Que observam o mundo à volta deles. Que são curiosos.

E eles fazem perguntas. Ela de uma forma não verbal. Ele, já com os seus vasto vocabulário, faz imensas perguntas. Imensas mesmo.

Ele quer aprender. Quer aprender números, letras, os códigos de bloqueio dos telemóveis e tablets (que existem para ele não lhes mexer!!!). E nessas alturas, eu ensino. Não sou fundamentalista. Acho que não precisa aprender números e letras antes dos seis anos, mas se ele pede, eu ensino.

Desde que ele nasceu que eu descobri dentro de mim uma certeza: eu posso confiar nele, eu posso confiar no desenvolvimento das suas competências de forma natural, sem ter que interferir no processo.

E já reparei na cara dele quando alguém lhe pergunta a cor de alguma coisa, ou o nome de algum objeto. Ele agora já responde, mas das primeiras vezes, notava-se um ar de surpreendido com esse tipo de perguntas!

Eu também ficaria!! Se alguém me perguntasse a cor de alguma coisa, eu perguntaria se era daltónico!!!

Assumimos que as crianças precisam de ser ensinadas, e por isso fazemos perguntas que não fazemos aos adultos à nossa volta, e admiramo-nos que muitas das nossas crianças comecem a perder a curiosidade por aprender!

Claro que eu compreendo esta necessidade de ensinar.

Mas quando observo a interação da maioria dos adultos com as crianças, também me pergunto se alguma vez, esses adultos se questionaram sobre quem realmente são, quais são as suas intenções quando se relacionam uns com os outros e com as crianças.

Quando descobrimos dentro de nós, por breves instantes que seja, uma paz sem limites, um reconhecimento de que somos muito mais do que uma personalidade, e muito mais do que aquilo que estamos aqui a fazer, começamos a honrar muito mais a forma como lidamos com os outros, e como lidamos com as crianças.

Saber, sem saber como sei, que o mais importante é este instante, e que na conexão que estabeleço AGORA com os meus filhos, tudo aquilo que eu preciso saber surge naturalmente em mim, e neles!!

Esta confiança de que eles desenvolvem as suas competências, sem que seja preciso interferir é algo que me motiva a estar em silêncio mais vezes, a observar mais, a dar espaço e oportunidade.

Eles não precisam estimular a visão com brinquedos coloridos. Eles não precisam desenvolver a motricidade fina com atividades próprias para isso aos x meses. Eles não precisam ser postos de barriga para baixo aos x meses para fortalecer o pescoço. Eles não precisam de estímulos!

Eles só precisam brincar livremente, ser amados, respeitados, e muito acarinhados!!!

(Eu respeito todas as pessoas que pensam e agem de forma diferente!)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A timidez das crianças.... Deixa-te levar!!!




Quando o meu filho nasceu, tornei-me muito observadora da forma como as pessoas interagiam com ele. Eu própria. E comecei a observar que a algumas interações ele dava um passo atrás, a outras, ele simplesmente comunicava e brincava.

Hoje em dia, continua a ser da mesma forma.

Acontece o mesmo com a minha filha mais nova, apesar de observar também outro tipo de atitudes. Todos manifestamos comportamentos diferentes. :)

É engraçada a forma como as pessoas são rápidas a julgar. E as que mais julgam o meu filho, são aquelas com quem ele não comunica.

As pessoas que o julgam como tímido, como tendo um problema, como tendo um bloqueio emocional qualquer, como não social, são aquelas que não o conhecem. Que nunca brincaram com ele, que não sabem o que ele gosta, que ainda não tiveram uma conversa com ele.

Eu noto que, muitas vezes, essas pessoas tentam comunicar com ele. TENTAM! E tentam demais.

Eu sinto. Não sei se ele sente. Mas eu sinto que as pessoas tentam. Só que se estão a tentar, também estão com um pé atrás. 

Aquele dono de café, que mesmo percebendo que à primeira ele não lhe respondeu, continuou a conversar com ele, sabendo que ele o estava a ouvir. Não houve uma palavra de crítica, um único julgamento, apenas um olhar terno, um sorriso acolhedor. 

E assim, vindo do nada, quando saímos, um apertar de mãos! Um olhar trocado.

Ou então amigos que entram aqui em casa, que ele nunca viu, mas que são convidados a ir para o quarto dele brincar!

Ou familiares que ele vê uma ou duas vezes no ano, e que brinca com eles!

E familiares a quem ele diz que gosta muito. Com quem brinca. Que desfrutam dos colos. 

E depois pessoas na rua que lhe dizem coisas que o "deixam triste" (segundo ele): é o gato que comeu a língua, "és tímido, és??", "estás com vergonha? não precisas ter vergonha!", entre outras coisas.

Uma criança que é tímida - aos olhos do mundo claro, porque a criança é como é - não vai aproximar-se mais quando a julgam por ela não se sentir à vontade para responder ao primeiro olá ou não querer dar o famoso beijinho da praxe. Alías, qualquer crítica ou julgamento à criança só a vai afastar ainda mais.

Se conheces alguma criança que julgas como tímida, experimenta largar esse julgamento a próxima vez que a vires.

Esquece tudo o que sabes sobre conversar com crianças. Larga as tuas expectativas do que deve ou não deve acontecer.

Observa a criança e o momento. Observa a tua necessidade de dizer ou fazer alguma coisa. Escuta o momento. 

E deixa-te levar. Deixa-te levar pela conexão.

Não penses muito. (Mas também não precisas dizer disparates não pensados, como "pronto, não falas comigo, vou-me embora! - isto porque há pessoas que o fazem e também não ajuda!!!)


sábado, 7 de janeiro de 2017

"Mamã, não tenhas medo das minhas birras!"

Já li vários texto sobre como evitar birras, como acabar com birras, como ter filhos que não fazem birras, e por aí fora!

E se começarmos por desmistificar o que é uma birra?

Uma birra não é uma manifestação de um tirano, que não teve aquilo que desejou e agora está a tentar manipular as pessoas que mais ama.

É apenas a expressão de uma emoção de um ser humano, num corpo pequenino, com um cérebro que está a crescer e ainda não desenvolveu todas as competências de gestão emocional ( só depois dos 20 anos é que isso acontece, e sejamos honestos... somos nós, adultos, um exemplo de gestão emocional saudável?).

O sono, a fome, a necessidade de contacto físico, a necessidade de brincar e de se movimentar, são razões para um bebé ou criança ter uma birra.

O desenvolvimento natural da autonomia e independência, quando não aceite pelos pais, também pode criar momentos de tensão.

Outro dia de manhã, a minha filha chorou porque queria comer as papas de aveia sozinha. Eu achei que ela ainda não conseguia, disse-lhe que não, que era eu e ela apontava para o prato. Eu escolhi deixar, mesmo pensando que ela ainda não sabia comer sozinha papas líquidas, sem deitar fora metade (que já tinha acontecido!). Ela comeu tudo, e quase não sujou a roupa e a cadeira. Pedi-lhe desculpa!

Agora, já aconteceu eles chorarem muito porque queriam fazer algo que colocava em risco a segurança deles. A única solução é dizer não e acolher o choro de frustração deles. Eles não têm noção que é perigoso, e o facto de nós explicarmos não elimina a frustração do sistema corpo/mente dos mais pequeninos. Eles precisam, e é saudável, libertar o que sentem. E o choro serve para isso.

Outro exemplo muito simples é quando uma criança cai e chora. "Pronto, já passou!", "Ups, anda levanta-te, já passou".

Pode não ter passado, e só a criança é que sabe quando passou. Se está a chorar, é porque ainda não passou para ela. Ela pode não estar a chorar porque algo no corpo está a doer, pode estar a chorar porque se assustou, porque teve medo, porque doeu, porque se irritou. Ela pode nem saber porque está a chorar! Não te apresses. Não apresses a tua criança. Deixa-a libertar o seu corpo da emoção que surgiu nesse momento.

Chorar faz bem!

Especialmente quando o choro é acolhido por um adulto que está presente, que não julga a criança por chorar, que não apressa o processo, que não uso métodos ou técnicas para controlar as birras.

Epah... eu já senti vergonha dos gritos da minha filha nas compras, já senti vergonha do meu filho se atirar para o chão a chorar. E observei a vergonha, respirei fundo, e dei atenção aos meus filhos. Eles estavam a precisar da minha atenção consciente, do meu amor, da minha presença.

E sempre que eles choram, eu acolho-os. O mundo pára. E sabes uma coisa? A birra passa. E eles ficam mais calmos.

Não tenhas medo das lágrimas. Elas curam. Elas regeneram. E eles assim não vão ter medo das próprias lágrimas e das lágrimas dos que estão à volta deles. Porque é seguro sentir. Porque não controlamos o que sentimos.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Mente de Principiante na Maternidade

Mente de Principiante é estar disponível para viver cada momento sem a carga do passado, sem a preocupação com o futuro, sem expectativas, sem uma agenda pré estabelecida!

É olhar para os meus filhos e não ter um propósito por detrás de cada ação.

É olhar para um comportamento que eu sinto como desafiador, que acontece muitas vezes, e não lhe dar um significado. É olhar para esse comportamento como se fosse a primeira vez que acontece, é estar curiosa para compreender, em vez de julgar, opinar, reprimir ou ignorar!

É querer conhecer, e não partir do princípio que já sei como é ou como vai ser.

É deixar de lado as minhas "verdades", as minhas convicções. É estar disponível para estar errada.

É estar disponível para estar realmente presente, em cada momento, sem querer nada.

Parece simples... e quando flui assim, a sensação de bem-estar interior e paz são gratificantes.

Mas nem sempre é fácil. As emoções do passado, as crenças que surgem, os medos que aparecem. É importante saber que tudo o que surge é bem-vindo, é importante, e surge para ser observado sem julgamento.

Seja em nós ou nos nossos filhos.

O passado surge para ser perdoado. E se perdoar for apenas observar sem julgar?

Só assim a mente consegue viver este momento de forma nova. Sempre que o passado aparecer, é observado sem julgar. E assim, no silêncio da observação, surge um momento novo. Porque cada momento é novo. Apenas o nosso apego ao passado o mantém vivo na nossa vida.

E com os nossos filhos... ui... a tarefa nem sempre é fácil.

Quantas horas de sono devemos à cama? E quanto mais cansadas estamos, mais eles ficam irritados. Quanto mais tempo pedimos para nós, mais eles pedem, exigem. E às vezes esta coisa de criar pessoas pequeninas pode ser desgastante, frustrante e deveras irritante!!!

Como manter uma mente de principiante nessas alturas?

Estar MUITO, mas muito presente do nosso silêncio interior. Observar sem julgar. Não querer mudar. Não reagir.

Mas... e a quantidade de mas que a mente nos diz?

Não importam NADA!

De cada vez que valorizamos mais o nosso silêncio interior, seja em que situação for, esse instante vai ensinar-nos tudo aquilo que precisamos. Sim, a nós, mães e pais!

A vida, na sua infinita inteligência, é que está no controlo. Não nós!

E quando aceitamos isso, confiamos. Confiamos que as nossas ações estão a ser guiadas nesse silêncio, um silêncio de AMOR. As palavras fluem, as ações surgem. E nós abrimos mão da necessidade de controlar, de julgar, de ensinar, de educar.

O ensino acontece naturalmente, para os dois lados da relação.