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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Ensinar ou não ensinar




Normalmente, eu não tenho em mente ensinar nada aos meus filhos.

Eu não repito as cores daquilo que têm nas mãos, eu não faço perguntas do género "de que cor é isto?", "o que é isto?".

Assumo que eles são seres inteligentes. Que me escutam quando estamos a conversar. Que observam o mundo à volta deles. Que são curiosos.

E eles fazem perguntas. Ela de uma forma não verbal. Ele, já com os seus vasto vocabulário, faz imensas perguntas. Imensas mesmo.

Ele quer aprender. Quer aprender números, letras, os códigos de bloqueio dos telemóveis e tablets (que existem para ele não lhes mexer!!!). E nessas alturas, eu ensino. Não sou fundamentalista. Acho que não precisa aprender números e letras antes dos seis anos, mas se ele pede, eu ensino.

Desde que ele nasceu que eu descobri dentro de mim uma certeza: eu posso confiar nele, eu posso confiar no desenvolvimento das suas competências de forma natural, sem ter que interferir no processo.

E já reparei na cara dele quando alguém lhe pergunta a cor de alguma coisa, ou o nome de algum objeto. Ele agora já responde, mas das primeiras vezes, notava-se um ar de surpreendido com esse tipo de perguntas!

Eu também ficaria!! Se alguém me perguntasse a cor de alguma coisa, eu perguntaria se era daltónico!!!

Assumimos que as crianças precisam de ser ensinadas, e por isso fazemos perguntas que não fazemos aos adultos à nossa volta, e admiramo-nos que muitas das nossas crianças comecem a perder a curiosidade por aprender!

Claro que eu compreendo esta necessidade de ensinar.

Mas quando observo a interação da maioria dos adultos com as crianças, também me pergunto se alguma vez, esses adultos se questionaram sobre quem realmente são, quais são as suas intenções quando se relacionam uns com os outros e com as crianças.

Quando descobrimos dentro de nós, por breves instantes que seja, uma paz sem limites, um reconhecimento de que somos muito mais do que uma personalidade, e muito mais do que aquilo que estamos aqui a fazer, começamos a honrar muito mais a forma como lidamos com os outros, e como lidamos com as crianças.

Saber, sem saber como sei, que o mais importante é este instante, e que na conexão que estabeleço AGORA com os meus filhos, tudo aquilo que eu preciso saber surge naturalmente em mim, e neles!!

Esta confiança de que eles desenvolvem as suas competências, sem que seja preciso interferir é algo que me motiva a estar em silêncio mais vezes, a observar mais, a dar espaço e oportunidade.

Eles não precisam estimular a visão com brinquedos coloridos. Eles não precisam desenvolver a motricidade fina com atividades próprias para isso aos x meses. Eles não precisam ser postos de barriga para baixo aos x meses para fortalecer o pescoço. Eles não precisam de estímulos!

Eles só precisam brincar livremente, ser amados, respeitados, e muito acarinhados!!!

(Eu respeito todas as pessoas que pensam e agem de forma diferente!)

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